Arquivo de novembro \04\UTC 2009

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DÉBITO MUITO X CRÉDITO ZERO

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É uma “delícia” abrir o contracheque no final do mês. Ainda mais quando você se dá conta que teve trezentos reais descontados e nem sabe ao certo o motivo. Pagar as milhares contas que se acumulam sobre a geladeira é melhor ainda quando se está lisa e o dinheiro precisa ser esticado. Fazer uni-duni-tê talvez não seja o método mais sensato de orquestrar a coisa. Luz, água e telefone viram então prioridade máxima, mas e a TV à cabo? Como sobreviver aos domingos com canais abertos que só oferecem Faustão e Gugu? Ô louco meu! Acho que é hora de se pensar em suicídio! Tá bom! Se esticar mais um pouquinho dá pra pagar a TV também, mas internet nem pensar. Talvez agora sim seja a hora de utilizar o uni-duni-tê. Contas pagas à parte e nem uma moedinha de sobra na bolsa, chega o momento do tá lisa, diga! É quando você de repente se dá conta que a água acabou, e beber da torneira NEM PENSAR. Antes morta por desidratação do que por infecção intestinal. Se bem que ao menos meus pais poderiam abrir um processo contra a Compesa, mas ainda assim prefiro continuar viva. Achando pouco, o cartão da passagem resolveu dar pau, aí não dá! Nossa Senhora dos lascados resolveu esquecer da minha pessoa, só pode. Já estou começando a achar que mês que vem não vou receber nem um real, porque se não conseguir chegar ao trabalho, como vou continuar empregada? É então que o irmão resolve ligar pedindo dinheiro emprestado, daqueles empréstimos que nunca são pagos, deu vontade de gargalhar. Só pode ser brincadeira dos céus, o morto tentando levantar o moribundo. Piora tudo quando as esperanças de grana extra vão sendo eliminadas. É a arte que deu um probleminha na gráfica e o cliente me pede paciência. É o pagamento da diária de um trabalho que atrasou e a empresa me pede mais uns dias de paciência e até o governo me bota na lista de espera da restituição do imposto de renda, com aquela mensagem ridícula de que meus dados estão em análise. Análise de quê? Libera logo a minha grana aê Excelentíssimo Presidente. E o pior é que sou eu que tenho que continuar a ter paciência. Puta merda! O meu termômetro da paciência já explodiu desde a olhada na porcaria do contracheque no final do mês passado…preciso de uma overdose de Prozac pra ontem ou vou morrer de abstinência de dinheiro.

Srta. Prozac




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